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Reflexão De Mateus 24,42-51 (Festa de Santo Agostinho)

Mateus 24,42-51

Meus queridos irmãos e irmãs,

“O nosso coração está inquieto enquanto não repousa em Ti, Senhor.” Com esta famosa frase, Santo Agostinho, cuja festa celebramos hoje, resumiu a busca de toda a sua vida e, na verdade, a de todo ser humano. Essa santa inquietação, essa busca incessante por Deus, é a essência do que Jesus nos pede no Evangelho de hoje: a vigilância.

Jesus nos diz com uma clareza cortante: “Ficai vigiando, pois não sabeis em que dia o vosso Senhor virá.” E para que não reste dúvida, Ele nos dá duas pequenas parábolas.

A primeira é a do ladrão à noite. O dono da casa, se soubesse a hora, teria vigiado. Como não sabe, precisa estar sempre preparado. A vinda do Senhor, diz Jesus, será assim: inesperada. A mensagem não é para nos encher de medo, como se Deus fosse um ladrão. Pelo contrário, é para nos encher de propósito. Viver em estado de vigilância significa viver cada momento, cada dia, com a intensidade e o amor de quem sabe que aquele pode ser o dia do encontro definitivo. Isso dá um valor imenso ao nosso presente!

Santo Agostinho viveu essa verdade. Durante anos, ele viveu “dormindo”, distraído pelos prazeres, pelas ambições e pelas falsas filosofias. Mas seu coração estava “inquieto”. Essa inquietação era a sua vigilância interior, a centelha de Deus que o chamava a acordar. E quando ele finalmente despertou pela graça de Deus, toda a sua vida se tornou uma preparação para o encontro com o Senhor.

A segunda parábola, a do servo fiel e do servo mau, aprofunda a lição e nos mostra o que é, na prática, “vigiar”. Vigiar não é ficar de braços cruzados, olhando ansiosamente para o céu. A parábola nos revela qual é a grande tentação que nos faz adormecer na fé. É o pensamento do servo mau: “Meu senhor está demorando.”

Ah, como esta frase ecoa em nossas vidas! “Meu senhor está demorando… então, posso deixar para me confessar depois. Meu senhor está demorando… então, posso guardar este rancor por mais um tempo. Meu senhor está demorando… então, posso viver para mim agora e pensar nas coisas de Deus mais tarde.” Esta procrastinação da conversão é o sonífero da alma. Ela nos leva a fazer como o servo mau: abusar da nossa liberdade e viver para os nossos próprios prazeres.

O servo bom e fiel, ao contrário, é aquele que é encontrado trabalhando. Sua vigilância é ativa. Ele está “dando o alimento aos empregados no tempo certo”. Vigiar, para Jesus, é cumprir com amor e fidelidade a missão que nos foi confiada no aqui e agora.

Qual é o “alimento” que somos chamados a dar hoje? É a nossa paciência em casa, a nossa honestidade no trabalho, o nosso tempo doado a quem precisa, uma palavra de consolo a um amigo, o perdão que oferecemos, o testemunho silencioso da nossa fé. Ser um “servo fiel e prudente” é fazer bem, por amor a Deus, as pequenas e grandes coisas de cada dia. Foi o que fez Santo Agostinho depois de sua conversão: ele não parou mais de “distribuir o alimento”, usando toda a sua genialidade para nutrir a Igreja com seus sermões, seus escritos e seu testemunho.

Irmãos, que a Palavra de hoje, iluminada pelo exemplo de Santo Agostinho, nos desperte de toda sonolência espiritual. Que o nosso coração se mantenha sempre “inquieto” por Deus. E que nossas mãos estejam sempre ocupadas no serviço, cumprindo nossa missão de cada dia, para que, quando o Senhor da Vida bater à nossa porta, na hora em que menos pensarmos, Ele nos encontre de pé, trabalhando com amor e prontos para a festa eterna.

Amém.

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