Reflexão Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas Capítulo 17 de 26 até 37
Meus queridos irmãos e irmãs, que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos espera e nos acolhe, esteja no coração de cada um de vocês.
Hoje, o Evangelho nos apresenta palavras de Jesus que, se não formos cuidadosos, podem nos encher de ansiedade. Jesus fala sobre o fim dos tempos, sobre os dias de Noé e os dias de Ló. Ele fala de dilúvio e de fogo, de um ser tomado e outro ser deixado.
É natural que, ao ouvirmos isso, nosso coração se aperte um pouco. “Senhor, o que queres me dizer com isso? Estás tentando me assustar?”
Peço que respirem fundo. Lembrem-se de quem está falando. É Jesus. É o Bom Pastor. O Mestre que nos fala hoje não é um mestre de terror, mas um mestre de amor, que nos ama tanto que se recusa a nos deixar adormecidos.
Primeiro, Jesus nos lembra dos dias de Noé e dos dias de Ló. E Ele diz algo muito curioso. Qual era o grande pecado daquele povo?
Jesus diz: “Eles comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento.” Nos dias de Ló: “Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e construíam.”
Meus irmãos, me digam: há algum pecado em comer e beber? Há pecado em casar, em comprar, em plantar? Claro que não! Essas são as coisas da vida. São, muitas vezes, bênçãos de Deus!
Então, onde estava o erro?
O erro não estava no que eles faziam. O erro estava em só fazer isso. O erro estava na distração. Na indiferença.
Eles estavam tão ocupados com o “hoje”, tão imersos em suas próprias vidas, seus projetos e seus prazeres, que se esqueceram de Deus. Eles se esqueceram da eternidade. Eles se esqueceram do próximo. O coração deles ficou tão cheio das coisas do mundo que não sobrou espaço para as coisas do céu.
Jesus, com um amor imenso, olha para nós hoje e nos pergunta: “Meu filho, minha filha, como está o seu coração? Você está tão ocupado ‘comendo, bebendo, comprando e vendendo’ – ou seja, trabalhando, correndo, olhando o celular, maratonando séries, se preocupando com o futuro – que você se esqueceu de Mim, que estou aqui, agora, ao seu lado?”
O que Jesus quer de nós não é que paremos de viver. Ele quer que comecemos a viver de verdade, com o coração Nele.
Depois, Jesus nos dá o aviso mais sério: “Lembrai-vos da mulher de Ló.”
Que imagem poderosa. Ela estava sendo salva. Ela estava no caminho da libertação. O anjo disse: “Corra, não olhe para trás!” Mas ela olhou.
Por que ela olhou para trás? Porque o coração dela ainda estava lá, em Sodoma. Mesmo sendo um lugar de pecado, era o lugar dela. Ela olhou para trás com saudade das suas coisas, da sua casa, da sua segurança, da sua vida antiga. E ao se prender ao passado, ela perdeu o futuro.
Quantas vezes nós somos a mulher de Ló?
Deus nos chama para frente, para a vida nova, para o perdão, para a conversão… e nós olhamos para trás. Olhamos com saudade do nosso pecado de estimação. Olhamos com saudade do nosso rancor, que já nos é tão familiar. Olhamos para trás, para as seguranças materiais, e temos medo de confiar na providência de Deus.
Jesus nos diz hoje: “Solte. Desapegue. Não deixe que as coisas que você possui acabem possuindo você. A vida que Eu te ofereço é muito maior do que qualquer coisa que você possa deixar para trás.”
Por fim, Jesus fala que de dois numa cama, um será tomado. De duas mulheres moendo, uma será tomada. Isso nos fala da urgência e da natureza pessoal da nossa resposta. A fé não é coletiva. A salvação do seu marido, da sua esposa, da sua mãe, não é a sua. Deus tem um chamado único para você.
Quando os discípulos, ansiosos, perguntam: “Onde, Senhor? Quando isso vai acontecer?”
Jesus responde com aquele provérbio misterioso: “Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.”
O que Ele quer dizer com isso, de forma simples e pastoral? Ele está dizendo: “Parem de se preocupar com o ‘onde’ e o ‘quando’. Parem de tentar adivinhar o mapa e o calendário do fim do mundo.”
O julgamento é certo, assim como os abutres encontram o cadáver. Mas a sua tarefa não é ser um adivinho. A sua tarefa é estar preparado.
E como nos preparamos?
Não é estocando comida. Não é olhando para o céu com medo.
Nós nos preparamos vivendo o hoje com um coração desperto. Nós nos preparamos amando quem está ao nosso lado. Nós nos preparamos perdoando. Nós nos preparamos partilhando o pão. Nós nos preparamos encontrando Jesus na oração silenciosa e no irmão que sofre.
O Evangelho de hoje não é uma ameaça, queridos. É um despertador. É o beijo de Deus na nossa testa, dizendo: “Acorde, meu filho. Viva o hoje. Estou voltando. Viva de um jeito que, quando Eu chegar – seja hoje, seja no fim da sua vida, seja no fim dos tempos – você não esteja olhando para trás, mas correndo de braços abertos para Mim.”
Amém.


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